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Campanha

Rio de Janeiro: Front Line Defenders Lança Campanha sobre Ativistas em Risco nos Jogos Olímpicos

Em fevereiro de 2016, autoridades brasileiras demoliram a casa e o centro espírita de uma afro- brasileira praticante do candomblé e defensora de direitos humanos para abrir caminho para o Parque Olímpico. Com a abertura dos jogos na próxima semana, Heloisa Helena Costa Berto está exigindo justiça.

A Front Line Defenders e cinco defensores/as de direitos humanos no Rio de Janeiro estão lançando uma campanha que clama pelo fim das ameaças e ataques contra DDHs, que têm aumentado com a aproximação dos Jogos.

Segundo o defensor de direitos humanos Raull Santiago, co-fundador do Coletivo Papo Reto disse: “As várias formas de violência que nós vivenciamos sempre se intensificam quando megaeventos são realizados no país. As Olimpíadas promovem a ideia de harmonia: mas nós somos segregados; a ideia de união: mas nós temos rifles apontados para nossas cabeças. Eles prometeram melhorar a cidade, criar um melhor ambiente por causa dos Jogos, mas a realidade é que nós estamos morrendo”.

DDHs no Rio vêm enfrentando violência policial, ameaças, intimidação e ataques físicos. A situação para os/as defensores/as de direitos humanos tem piorado em escala nacional. De acordo com o Comitê Brasileiro de Defensores/as de Direitos Humanos, pelo menos 24 defensores/as de direitos humanos (DDHs) – em sua maioria de áreas rurais e comunidades indígenas no Norte e no Nordeste – foram assassinados/as apenas nos quatro primeiros meses de 2016. Esse dado coloca o Brasil no topo da lista de assassinatos de DDHs relatados à Front Line Defenders esse ano.

Em uma conferência de imprensa a ser realizada nesta quinta-feira, 28 de julho, na Vila do Largo, Rio de Janeiro, cinco DDHs em risco irão descrever as ameaças que eles/elas enfrentam na defesa dos direitos de suas comunidades em meio aos Jogos Olímpicos:

Heloisa Helena Costa Berto é uma mãe de santo praticante do candomblé da Vila Autódromo, no Oeste do Rio, no limite com o Parque Olímpico. Sua casa e seu centro espiritual foram demolidos para dar lugar às construções para as Olimpíadas. Ela está lutando contra a discriminação contra afro-brasileiras/os e lutando para que cultos de origem africana sejam incluídos no centro ecumênico das Vila Olímpica.

Luiz Cláudio Silva and Maria da Penhasão casados e são duas das poucas pessoas que permaneceram na Vila Autódromo após a polícia ter removido brutalmente mais de 650 famílias. Empreendedores olímpicos planejaram a construção de instalações na área e queriam remover a comunidade para esconder a pobreza dos olhos dos visitantes. Em protesto, Luiz e outros/as defensores/as de direitos humanos lançaram um museu ao ar livre entre os escombros, o "Museu das Remoções", e construíram uma tocha olímpica feita de detritos.

Mônica Cunha fundou o Movimento Moleque, uma organização para mães de crianças que foram ameaçadas, atacadas ou mortas pela polícia. Seu próprio filho foi assassinado por policiais em Riachuelo em 2006 e nenhuma investigação foi aberta. Mônica atualmente luta contra abusos cometidos por agentes de segurança, violência policial e discriminação contra jovens afro-brasileiros.

Raull Santiago fundou o Coletivo Papo Reto, um grupo de comunicadores sociais que documentam a violência policial e outros abusos de direito cometidos no Complexo do Alemão, coletando evidência com o intuito de trazer autoridades à justiça para que respondam sobre ataques e assassinatos.

Victor Ribeiro é um ativista midiático que organizou o Mutirão de Mídia livre, um projeto colaborativo que reúne jornalistas independentes do Brasil e do exterior para documentar o impacto social dos Jogos Olímpicos no Rio. Pelo seu trabalho documentando violações estatais, Victor já enfrentou ameaças, intimidação, acusações falsas e detenção arbitrária.

Conferência de Imprensa: Quinta-feira, 28 de julho de 2016
10:00 – 12:00
Vila do Largo, Rua Gago Coutinho, n. 6,
Rio de Janeiro, RJ
Para visualizar o mapa, clique aqui.

Para entrevistas um/a dos/as DDHs ou para falar com a Front Line Defenders, por favor entrar em contato com:

Erin Kilbride (Internacional)
erin@frontlinedefenders.org
+353(0)857423767

Ivi Oliveira (Brasil)
ivi@frontlinedefenders.org
+551199136-9259